Meus caros irmãos de confraria…

 conclamo-vos a resistir à malemolência. Escrevamos em nosso blog! Mesmo com o mormaço de idéias que emana de nossas mentes não podemos ter nos esgotado por completo. Que 2008 traga a revitalização que esse espaço merece.

 BOAS ENTRADAS PARA TODOS!

Hoje eu ouvi uma história que seria um grande sucesso no YouTube, se alguém resolvesse colocar uma câmera escondida e filmar toda a “operação”.

Na Câmara dos Deputados, existe uma suposta preocupação com a reciclagem do lixo. Espalhados por todo o órgão, há várias lixeiras destinadas à coleta seletiva de plásticos, papel e lixo orgânico. Há conjuntos de três lixeiras emparelhadas, uma para cada tipo de lixo, cada uma com uma cor. São lindas, e a sensação de dever cívico cumprido quando jogamos um papel de bala na lixeira certa é indescritível.

Ao longo do dia, os funcionários da limpeza da Câmara recolhem o lixo das lixeiras. Eles vêm com um saco preto de uns 100 litros de capacidade e, com todo o cuidado, jogam dentro do saco o lixo plástico. Depois, esvaziam dentro do mesmo saco o conteúdo da lixeira de papel. Depois é a vez do lixo orgânico. Depois passam para o próximo conjunto de lixeiras, e assim sucessivamente…

Não assisto muito à TV. Basicamente, vejo as notícias no Globo News e um ou outro enlatado norte-americano. O problema é que, de uns tempos pra cá, só se fala em dois assuntos na televisão brasileira: Pan e crise na aviação. Eu simplesmente não agüento mais ligar a TV e ver um repórter dando estatísticas sobre atrasos em vôos, com o saguão de um aeroporto como pano de fundo.

O caos na aviação civil brasileira contaminou o noticiário. Tudo bem, os acidentes foram tragédias, morreram centenas de pessoas por causa da negligência dos FDPs do governo… mas o mundo continua rodando! Se você analisar a cobertura da crise aérea, é fácil notar que 80% das matérias são absolutamente inócuas. Essa overdose de informações inúteis, aliás, presta o desserviço de pulverizar a atenção da população. Seria muito mais interessante concentrar-se no que realmente importa, entrevistar quem realmente apita alguma coisa, dar números e dados que realmente esclareçam esse ou aquele ponto. Da forma como a cobertura está sendo feita, a única reação que os noticiários vão causar nas pessoas é o tédio e a impaciência para separar o joio do trigo nessa barafunda informativa.

Então. Metemos 3 nos hermanos. A Argentina simplesmente não entrou em campo. O padrão de jogo que a seleção portenha vinha mantendo até então na competição – troca de passes intensa no meio-campo, no esquema de dois toques por jogador – não funcionou contra o Brasil, que marcou muito bem, não dando espaço pros argentinos construírem suas jogadas. Nossa zaga esteve precisa, com destaque pro Juan, como sempre muito bem posicionado. Robinho não fez nada, mas os demais jogadores da frente souberam deixar os argentinos ocupados.

O Brasil jogou com a característica que vem apresentando nos últimos anos: uma parede de volantes e zagueiros do meio-campo pra trás, e altas apostas no talento individual, na explosão, na precisão e na força física de seus homens de frente. Tim Vickery, no artigo que eu citei ontem, acha que esse esquema está moribundo. O jogo de ontem mostra que a coisa não é bem assim. Se o time que escolhe esse esquema estiver bem – como o Brasil de ontem -, não tem pra ninguém.

Outro furo do artigo do Tim Vickery: a conquista da Copa de 78 não foi, como ele deu a entender, o resultado de um belo trabalho de preparação da seleção argentina, mas sim uma das garfadas mais escandalosas da história do futebol.

Curiosidade: assisti ao jogo na casa de um amigo que assinou o pacote digital da Net. Ele passou meia hora antes do jogo demonstrando todas as vantagens da televisão digital, a variedade de menus, o custo/benefício nos preços, etc. Pois bem. Estamos assistindo ao jogo, e coisa de 5 segundos antes do primeiro gol do Brasil, ouvimos a quadra inteira gritando “GOOOOOOOOOL!!!!”. Nos entreolhamos, pensando “Ué, tá rolando outro jogo agora?”, e em seguida, na nossa TV, gol do Brasil. Caiu a ficha: na televisão dele, tudo se passa com um delay de aproximadamente 5 segundos!! Maravilhas do mundo digital. Daí pra frente, acabou o suspense: sabíamos quando uma jogada não daria em gol (os vizinhos não gritavam), da mesma forma que soubemos dos outros dois gols com a devida antecedência…

Já estou começando a acreditar que a ausência de novos posts neste blog desde o texto “Meu palpite”, no dia 9, foi uma forma que os demais editores encontraram de deixarem em evidência o meu chute sobre a final da Copa América, a ser disputada daqui a algumas horas na Venezuela, entre Brasil e Argentina.

So far, so good: pelo menos a configuração da final eu acertei. Graças, diga-se de passagem, ao juiz da semifinal entre Brasil e Uruguai, que permitiu que o Doni andasse dois metros na cobrança (ruim, de qualquer forma) do capitão uruguaio Lugano.

Reafirmo: sou brasileiro, vou torcer pelo Brasil, mas ficarei muito, muito surpreso se a Argentina não sapecar no mínimo três gols nos canarinhos. Além do mais, pelo bem do futebol, é até melhor que isso aconteça. Concordo na íntegra com o excelente artigo do Tim Vickery (leitura altamente recomendada): a derrota brasileira na final de hoje será, no longo prazo, benéfica para o Brasil e para o futebol.

Mil perdões aos patriotas a qualquer preço, mas nada me tira da cabeça que a final antecipada da Copa América vai ser o jogo Argentina x México. O campeão (muito provavelmente a Argentina) sairá desse jogo aí, o Brasil pegando um honroso vice-campeonato. Assisti a todos os jogos das quartas, e nossos hermanos do Mercosul estão sobrando em campo, assim como, em menor grau, nossos colegas merricanos. Robinho, quer dizer, a seleção brasileira não é páreo pra essa cambada. Sorry, guys.

Considerando como correta a hipótese de que o preço de uma ação reflete toda a informação disponível no mercado, não há dúvida de que a primeira impressão sobre o novo brinquedinho da Apple é altamente positiva. Veja-se o gráfico abaixo – ele mostra a evolução do preço da ação da Apple (NASDAQ:AAPL) nas últimas cinco sessões de negócios (quarta-feira dia 4 foi feriado nos EUA). O desempenho do papel na terça dia 2 foi impressionante – alta de 4,9% em relação ao fechamento anterior, com volume muito acima do normal. Na quinta e na sexta o pulo foi também significativo, mais de 4%. No total, desde o fechamento de sexta dia 29 de junho (data do lançamento), a açao já subiu 8,4%.

Veja-se também a comparação entre o retorno sobre o índice do NASDAQ (NASDAQ:^IXIC) e o retorno da ação da Apple no mesmo período:

O que aconteceu? Claramente o mercado esperou primeiro até que a poeira baixasse e que análises concretas sobre o iPhone começassem a aparecer (toda a euforia inicial sobre o iPhone já estava precificada, logo na ausência de novas informações a ação se manteve relativamente estável), para então tomar um rumo claro. Uma análise bem interessante que saiu na semana passada é a da iSuppli: após literalmente desmontar um iPhone em todos os seus componentes e calcular seu custo unitário, a iSuppli concluiu que o custo de produção de um iPhone de 8GB (vendido por $599) é apenas $265,83, o que gera uma respeitável margem de 55,6%. Isso não inclui, claro, custos de marketing e R&D. Mas com vendas no nível que estão (o Goldman Sachs estima a receita do primeiro fim de semana em $186 milhões), a Apple não vai ter qualquer problema em recuperar o investimento inicial e ter um retorno substancial sobre seu investimento. E é justamente essa perspectiva o que tem feito o preço da ação subir tanto.

Enfim: o iPhone já é um produto campeão de vendas e até agora sucesso de público, crítica e mercado (apesar das vozes dissidentes e das reclamações sobre o contrato obrigatório com a AT&T/Cingular, o que para mim é o grande defeito do novo gadget). Os editores deste blog já aprovaram o aparelho por unanimidade sem ainda ter colocado as mãos no dito cujo, mas esperam ansiosamente para fazê-lo!

Estava pra escrever um post sobre o iPhone desde o dia do lançamento, e lá fui eu, às 18h14 do dia 3 de julho de 2007, digitar “iphone” no campo de pesquisa do Google. A idéia era ter uma noção, por superficial que fosse, sobre o sucesso (ou insucesso) do novo brinquedinho da Apple.

Pesquisa feita, clico no link “Resultado de notícias sobre iphone” e me aparecem coisas do tipo:

  • Apple vende 1.000 iPhone por hora
  • Deutsche Telekom acerta acordo para levar iPhone para Alemanha
  • Apple pode ter vendido até 700 mil celulares iPhone no fim de semana
  • Apple vende mais de 200 mil iPhone no dia da estréia
  • Apple vai dar um iPhone a cada funcionário da empresa
  • Margem de lucro do iPhone supera 55 por cento, revela estudo

Resumindo: Steve Jobs deve estar rindo pras paredes.

Por outro lado, há notícias do tipo:

  • Clientes enfrentaram problemas para ativar iPhone
  • Problemas de ativação do iPhone foram resolvidos, diz AT&T

Ou seja: o ponto fraco do iPhone parece ser mesmo a AT&T, pelo menos nesse início.

Uma coisa ficou muito clara nos jogos que o Brasil disputou até agora na Copa América:

 O ROBINHO BATE PÊNALTI MAL PRA CARAMBA!

Pra começar, chuta fraco. A pontaria também não é lá essas coisas: a bola nunca entra no cantinho, naquele ponto indefensável da meta. Pra piorar tudo, o cara não aprende com os erros: depois de ter a cobrança quase defendida pelo goleiro do Chile, lá vai ele bater o pênalti (discutível) contra o Equador exatamente no mesmo lugar!!! O goleiro só não catou porque não quis.

Tá bom, ele tá carregando o time nas costas, mas eu treinaria outro jogador pras penalidades.

Vão desculpando minha obsessão com o affair Renan-Mônica, mas essa eu tenho que comentar.

Na Folha de ontem, tem uma entrevista imperdível com a jornalista. Um amigo gaiato já disse que, onde se lê “Amei, amei muito”, leia-se “Armei, armei muito”, e atribui a falta do R a um cochilo do copidesque.

Mas o ponto alto da entrevista, pra mim, foi o seguinte trecho:

FOLHA: Engravidou por descuido?
MÔNICA: Não vou responder.

Muito , mas muito mais revelador que eu reles “não”!

Depois da famigerada frase da sexóloga, vem a do economista perdeneiro: “É o preço do sucesso”.  Depois de terem de ouvir o simpático chavão “Relaxa e goza”, os passageiros, executivos e turistas, têm de se submeter a mais um pronunciamento de efeito da cúpula petista. As declarações de Guido Mantega ecoam pela mídia, atestando a letargia que toma o governo federal. Para escapar à responsabilidade basta associar a crise aérea a uma demonstração de prosperidade.guido_mantega.jpg

Ora bolas, seu Ministro, é mais fácil relacionar essa crise a uma inababesca incompetência institucional. Ausência de planejamento e irresponsabilidade com os recursos arrecadados aos cofres do Tesouro Nacional. O país precisa de gestores, não de marketeiros pós-graduados em Sussex.

Atualmente, em Holywood, estão sendo disputados a tapa os filmes em que o protagonista encarnará um personagem histórico. A razão disso está na constatação de uma tendência que domina, claramente, os prêmios da Academia concedidos de cinco anos pra cá. Senão vejamos:

Oscars de melhor ator

2006: Forest Whitaker, interpretando Idi Amin Dada, no filme O último rei da Escócia. Personagem histórico.

2005: Philip Seymor Hoffman, interpretando Truman Capote, no filme Capote. Personagem histórico.

2004: Jamie Foxx, interpretando Ray Charles, no filme Ray. Personagem histórico.

2003: Sean Penn, interpretando Jimmy Markum, no filme Sobre meninos e lobos. Personagem fictício.

2002: Adrien Brody, interpretando Wladyslaw Szpilman, no filme O pianista. Personagem histórico.

Oscars de melhor atriz

2006: Helen Mirren, interpretando Elizabeth II, no filme A rainha. Personagem histórico.

2005: Reese Witherspoon, interpretando June Carter, no filme Johnny e June. Personagem histórico.

2004: Hilary Swank, interpretando Maggie Fitzgerald, no filme Menina de ouro. Personagem fictício.

2003: Charlize Theron, interpretando Aileen Wuornos, no filme Monster. Personagem histórico.

2002: Nicole Kidman, interpretando Virginia Woolf, no filme As horas. Personagem histórico.

Ou seja: dos últimos dez Oscars entregues aos melhores atores e atrizes do ano, nada menos que oito foram vencidos por quem teve a malandragem de escolher um personagem histórico, de preferência meio doidão, viciado em drogas, depressivo, excêntrico, etc. É receita certa pra pelo menos uma indicaçãozinha.

Como os outros editores ainda não tomaram providências nesse sentido, chamo pra mim a responsabilidade de publicar um post polêmico, posto que necessário.

É inaceitável que, com 20 dias de blog, ainda não tenhamos repercutido um dos maiores fenômenos da história da internet no Brasil: Jeremias.

O vídeo do Jeremias no YouTube é um dos mais vistos, e certamente um dos mais divertidos, do popularíssimo site. As tiradas do mais ilustre morador do bairro do Salgado (Caruaru-PE) já se incorporaram ao repertório de mais de um brasileiro, inclusive o que escreve estas mal traçadas, que inclusive apelidou seu próprio automóvel de “Jeremias”, pela sofreguidão com que o referido veículo consome álcool, à taxa de 6,9 quilômetros por litro.

Mas deixemos de meias palavras, e vamos a uma pequena compilação:

“Bebi, inté umas hora, diga que eu sô caba homi. Seu eu pudesse eu matarra mil!”

“Eu mato inté o delegado se ele fô abusivo.”

“Vá se fudê todo mundo, já to fudido!”

“Eu tarra bebeno no inferno. O CÃO foi quem butô pa nóis bebê!”

“Diga à minha mãe que eu já tarra matano mil, diga à minha mãe que ela vai dá uma risada.”

“Eu já fui [detido] um monte de vez, e vô dez vez… mas por ladrão, não, mas vô por caba homi.”

“Hum… he… eu nunca mais rependi, mermão… Harrãããããã!!!”

“Gente safaaaaado!!!”

Deu na Folha de hoje que, nos Estados Unidos, está em discussão um Código de Conduta dos Blogueiros. É uma reação ao comportamento condenável dos “trolls”, apelido que ganhou a turma que deixa comentários malcriados nos blogs.

Sinceramente, eu acho perda de tempo. Não vai ser um Código de Conduta que vai barrar os “trolls” – aliás, ninguém pensou em nenhum nome melhor?

Dizem que o número de blogs vai chegar a 100 milhões até o fim do ano. É blog bragarái.

E lá vamos nós para mais uma sessão de esculhambação no Senado da República. Renan Calheiros diz que não renuncia ao cargo de presidente do Senado, mas claramente sua situação é insustentável. Não que necessariamente ele tenha feito algo errado – isso é outra história. Mas o simples fato de um presidente do Senado ter seu nome envolvido em um escândalo multifacetado (filha bastarda, questionamentos sobre origem de recursos, relacionamentos escusos com construtora) já é suficiente para que ele seja devidamente defenestrado. Como diria MSZ, a Renan já não resta envergadura moral para liderar a nobre Casa com credibilidade.

Quantos dias ou semanas vai durar essa sessão, ninguém sabe. Severino Cavalcanti conseguiu sobreviver por duas semanas ao escândalo do “mensalinho”. Renan é mais forte, mas não é imbatível. E com torcida contra por parte dos próprios colegas de Senado, nem ele agüenta.

Não ficaria surpreso se nos próximos dias ele apresentasse sua renúncia ao cargo e citasse razões como “amor ao Senado Federal, respeito pela casa, sacrifício pessoal para evitar um dano maior à reputação dos colegas etc”. A previsibilidade do conteúdo dos discursos de políticos brasileiros, paradoxalmente, nunca deixa de me causar espanto.

Vejam a seguinte notícia do Estado de São Paulo: “O Ministério da Educação anunciou, na sexta-feira (15/6), o veto à autorização para funcionamento de 43 cursos superiores — 33 de Direito e 10 de Medicina, todos privados.”

Enfim, a autoridade máxima do ensino superior no Brasil tem um lampejo de bom senso. No caso do curso de Direito, a situação é obviamente calamitosa. Segunda dados da OAB Nacional, esparramam-se pelo mercado de trabalho 2,5 milhões de bacharéis de Direito (mais de 1% da população brasileira), sendo que 1,9 milhão deles está impedido de exercer a advocacia. Na maioria dos casos não se trata de mero desinteresse na profissão. É simplesmente carência de formação e de intelecto para enfrentar o exame de ordem. E olha… não estamos falando de nenhum concurso público com vagas limitadas. Basta atingir o mínimo exigido.

Professores de cursinho acham o máximo!!!

Andaram aparecendo umas notícias sobre uma provável reforma ortográfica da língua portuguesa, que estaria prevista para começar já em janeiro de 2008.

Em tese, as notícias são verdadeiras. Houve, realmente, um acordo ortográfico entre os países da CPLP, assinado em 16 de dezembro de 1990. Para começar a valer, ele precisaria ser ratificado por todos os países da CPLP.

Em 2004, porém, um outro acordo modificou o artigo 3º do Acordo Ortográfico, estabelecendo que ele entraria em vigor “com o terceiro depósito de instrumento de ratificação junto da República Portuguesa”. Traduzindo, bastaria que três países membros da CPLP ratificassem o Acordo para que ele passasse a vigorar.

Ora, isso já aconteceu: Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe já ratificaram o acordo. O problema é que, na prática, a ratificação de Portugal é absolutamente essencial para que o Acordo tenha qualquer pretensão à vigência. E a ratificação portuguesa ainda não aconteceu.

Mesmo que ela acontecesse hoje, seria necessário um período de transição de pelo menos dois anos para que todas as modificações previstas no Acordo começassem a vigorar. As mudanças não são pequenas, e certamente levarão meses, quem sabe anos, para serem incorporadas às salas de aula, aos livros didáticos, aos documentos públicos, às publicações da mídia e da imprensa e, sobretudo, ao uso popular, o meio menos permeável a esse tipo de mudança.

Diante disso tudo, é praticamente impossível o início da vigência do Acordo Ortográfico em janeiro de 2008. Podem ficar tranqüilos – com trema, por enquanto.

Na quarta-feira passada o Delfim Netto escreveu um artigo na Folha intitulado “Vantagem Estratégica” que eu estou para comentar já há alguns dias. Nesse artigo, Delfim chega à conclusão de que o “bloco asiático” terá um crescimento endógeno elevado em relação aos demais países do mundo por conta de um novo acordo de livre comércio, que supostamente será assinado pelos países da região.

Até aí, nada de mais. O que me deixou intrigado foi o uso de dados de PIB ajustados para PPP para mostrar a força da China e de outros países asiáticos. A teoria do PPP (Purchasing Power Parity, ou paridade do poder de compra), ao que me consta, presta-se mais a análises de renda per capita de países diferentes (porque permite uma comparação melhor do padrão médio de vida de seus habitantes) do que propriamente a lucubrações sobre crescimento global. (Para entender melhor a teoria do PPP, recorra a um bom livro-texto introdutório de economia internacional como Krugman-Obstfeld, ou alternativamente consulte o excelente verbete PPP no Wikipedia.)

A afirmação de que “oitenta por cento da taxa do crescimento mundial se deve ao ‘mundo emergente’” é no minimo enganadora, porque é uma afirmação feita com base na participação dos países no PIB mundial ajustado para o PPP. Usando dados do PIB nominal em 2006 (disponíveis no site do Fundo Monetário Internacional), podemos ver que o quadro é bem outro e aquele número não chega a 60% (de certa forma impressionante, mas não tanto quanto os propalados 80%). Basta olhar para a coluna à direita na tabela abaixo e calcular (0,8% + 0,1% + 1,3%) / 3,7% = 59.5%. Como conseqüência, a contribuição do mundo desenvolvido para o crescimento global não é de 20%, mas sim de mais de 40%. Da mesma forma, a assertiva de que “o bloco asiático no qual se inclui o Japão já gera 1/4 da produção mundial” não se sustenta quando são utilizados os PIBs nominais de cada país e região – este número é inferior a 18%. A China, cujo PIB PPP representaria 19% do PIB mundial, em termos nominais responde por apenas 8,7% do produto global.

A crescente importância da China para a economia mundial é inegável, mas é preciso manter uma certa perspectiva. EUA, Europa e Japão são responsáveis (pelo menos por enquanto) por mais de 2/3 do produto global, ao passo que China, Hong Kong, Taiwan, Singapura e Coréia do Sul juntos não chegam a 9% (número bem diferente dos 19% mostrados no artigo do Delfim). O impacto dos “outros emergentes” (Brasil incluído) é também menor do que o que se afirma no artigo da Folha – 24,5% versus 36%.

Ou seja, analisando os números com mais calma e sem entrar no band-wagon da China, pode-se concluir que ainda falta muito chão para que a Ásia e outros países emergentes se tornem as potências do crescimento mundial como muitos querem acreditar.

Finalmente (mas já levantando um ótimo assunto para outro post), é bom lembrar que um dos principais motivos pelos quais a China cresce a uma velocidade assustadora é o enorme “espaço” que existe para esse crescimento. Em termos simples, economias mais maduras simplesmente não tem como crescer a taxas de 8% ou 10% ao ano porque já estão em um nível avançado de utilização de sua capacidade produtiva. Como bem colocou um amigo meu, comparar o crescimento dos EUA ou da Europa com o da China é como comparar o crescimento proporcional de um jovem adulto com o de uma criança de dois anos.

hamilton.jpgFinalizado o GP de Indianapolis, já posso (ou já podemos) fazer a seguinte afirmação: salvo uma catástrofe ou uma (altamente improvável) mudança de estratégia da McLaren para a temporada 2007 da Fórmula 1, o inglês Lewis Hamilton será o campeão da categoria por uma larga vantagem. Hamilton teve um fim de semana excelente (assim como na semana passada no Canadá) e venceu a segunda corrida seguida.

É interessante ver o resultado da enquete de hoje no site GloboEsporte.com: mais de 60% das pessoas que responderam à pesquisa ainda acham muito cedo para concluir que Lewis Hamilton pode ser considerado favorito ao título. Abre o olho, gente! É mais do que óbvio que Hamilton é, no mínimo, um dos favoritos ao título (mesmo que não seja “o” favorito ao título, como eu acredito).

No meu ranking de regularidade na temporada (pergunte-me como é isso), Lewis Hamilton está disparado na primeira posição – vejam aí abaixo. Regularidade por si só não ganha campeonato nenhum, mas consistência em alta pontuação a cada etapa é receita certa para se garantir o caneco. E isso Lewis Hamilton tem conseguido – sete pódios em sete corridas. Nada mal.

sr-indianapolis-2.png

Não ia blogar hoje, mas com esse novo layout, não pude resistir. Tenho que escrever algo, mesmo que seja efêmero e vil.

Sabem os DAS? Aqueles cargos de confiança do Poder Executivo mal amados desde 2003. Pois é… estão para ser devidamente engordados de modo a caber a fome dos aliados do Planalto. Eis a tabela e o percentual de aumento. Notem o DAS 101.3… UAU!!!

Das 101.6 : 9735,89 (28.5%)
Das 101.5 : 8178,36 (28.5%)
Das 101.4 : 6296,04 (28.5%)
Das 101.3 : 3777,63 (139% )
Das 101.2 : 2518,42 ( 79%)
Das 101.1 : 1977,31 ( 60%)

Último parágrafo do artigo de Kenneth Maxwell na Folha de S.Paulo de hoje (p. A2):

Assim, em 2009, quando o presidente Obama ou a presidente Clinton visitarem o presidente Lula em Brasília, eles talvez efetivamente possam, ao contrário do confuso senhor Reagan, ter alguma chance de saber onde estão.

Não vai haver candidatos republicanos? Dado o devido desconto ao fato patente de que o autor do artigo é democrata, eu me indago: será que a vitória democrata nas próximas eleições presidenciais norte-americanas já é um fait accompli?

Não escondo. Sou tricolor pampeiro, apesar de criado qual calango no cerrado.

Desde 2005, quando perdi o desenlace da Batalha dos Aflitos, não me atrevo a desviar os olhos da televisão. Esteja 3×0 no final dos primeiros noventa minutos, será um milagre fazer 4×0 no Boca Juniors no retorno à casa. E nada como assistir um milagre ao vivo.

No mais, fica o espanto da figura decadente do ídolo argentino presente à Bombonera neste fatídico 13/06/2007.

Maradona em 2007Maradona em 2007

… retomando o que interrompi por falta de “hora” disponível…

O anúncio do pedido de falência pode deflagrar uma corrida entre os credores para disputar o ativo da empresa ameaçada. Aliás, não necessariamente o credor tem notícia da possibilidade de falência por meio de notificação judicial. Obviamente essa ciência pode ser ser adquirida pela mídia especializada, o que dispensaria o anúncio judicial para se  observar a reação dos credores. Veja o caso Parmalat em janeiro de 2004.

A partir das notícias veiculadas sobre a crise da matriz italiana, execuções em cascata pendiam sobre o patrimônio da filial brasileira.Parmalat envergonhada Caso emblemático são as medidas judiciais tomadas pelo Banco do Brasil para bloquear os ativos da fábrica de Jundiaí, difundindo o “terror” sobre os demais credores. No caso particular, a empresa se resguardou na concordata, migrando em 2005 para a recuperação judicial. Mesmo assim vale a pena dar uma olhada no relato do sofrimento vivido por fornecedores e instituições de crédito naquele início de 2004 .

Ao ler o conjunto das notícias do link acima, noto que muitos credores agem por instinto de sobrevivência, principalmente os pequenos fornecedores de leite. Aí eu me pergunto: será que em nome da perpetuação da empresa eventualmente insolvente devemos sacrificar os direitos individuais dos credores de resgatar o que puderem do ativo da sociedade devedora? Se a informação sobre a possível insolvência for negligenciada, é justamente este sacrifício que estará se realizando. Vale a pena esse carneiro imolado??? Ainda não formei opinião…. Deixo para a parte III.

Alço vôo para casa… que hoje meu tricolor joga na Bombonera. Sofrimento à vista. 

Não dá para não compartilhar o pensamento bizarro de um colega de trabalho.

Quando comentei que nossa coordenadora pretende se aposentar para fazer trabalhos de caridade, o Velosão disparou:

“Agora que ela ganhou o mundo, quer ganhar o céu. É como digo: a maioria das mulheres só procura Deus quando o Diabo as esquece.”

Mondo Cane…. na veia.

Acabo de lançar a expressão “recuperação de empresas” no Google. Em momentos de distração faço esse tipo de coisa: jogo uma expressão familiar ao sabor das marés virtuais e recolho o pescado resultante. Desta vez, do arrasto tirei um bacalhau. Trata-se do sítio sobre reformas de direito comercial alavancadas pela Direcção-Geral da Política de Justiça, especificamente no que tange a falência de empresas no direito português.  Chamou-me particularmente a atenção a seguinte passagem:

“Fim dos anúncios para convocação de credores quando a insolvência é requerida por um credor, por forma a preservar a imagem da empresa no mercado até efectiva decisão judicial de reconhecimento da situação de insolvência.”

De fato, a insolvência de uma empresa, no seu ponto de vista econômico, traz imensas dificuldades ao direito. Estas se traduzem no delicado balanço entre a necessidade de prosseguimento da atividade econômica e a satisfação dos créditos envolvidos. Pela lei portuguesa anterior a 2004, como pode se supor da citação acima, era prevista a publicação de anúncios que davam publicidade ao pedido de falência interposto por um credor. Não há notícia de instrumento similar na legislação brasileira, mas é compreensível sua existência em outro ordenamento jurídico.

De fato, quando o empresário ou a sociedade empresária se vêem ameaçados pela falência, existe alguma probabilidade de que a decretação judicial vai se consumar. Em alguns casos, essa probabilidade será ínfima, noutros enorme, mas, qualquer que seja o grau da ameaça, estamos diante da hipótese real de abertura do concurso de credores. Para os leigos no assunto, basta saber que o concurso de credores reduz em grande medida as chances de recebimento, base do que se poderia chamar “o fantasma da insolvência”. Esse espírito indolente e carniceiro é solto após a decretação judicial. Em seguida, o patrimônio do devedor será forçosamente liquidado sem que os credores possam exercer individualmente seus direitos. Passam a depender da massa falida, o que não é recomendável em nenhum manual de economia.

Diante dessa possibilidade “aterradora”, qualquer credor racional tomaria providências voltadas para atenuar o impacto da insolvência assim que houvesse notícia dela. No entanto, tais providências provavelmente englobam o corte das relações empresariais e o uso de medidas judiciais para garantir a satisfação dos créditos vencidos antes que a falência seja reconhecida pelo juiz. De um lado, o empresário ou a sociedade empresária ameaçados pelo pedido de falência perdem os vínculos comerciais e creditícios necessários à atividade. De outro, há um constrangimento do ponto de vista patrimonial, muitas vezes impossibilitando o uso regular de bens voltados para a geração de riqueza como, por exemplo, uma máquina que é arrestada em processo judicial. Em outras palavras, a simples notícia da possível falência pode se constituir em indutor de uma falência irreversível.

Dito isso, alguém poderia afirmar, e de maneira razoável, que o anúncio do pedido de falência não deve subsistir em qualquer sistema jurídico, pois é anti-política empresarial, abrindo margem à disputa coletiva irracional (provocada por motivos racionais individuais) pelos ativos disponíveis do devedor. Por esse motivo a previsão legislativa do anúncio pré-falência faz assustar num primeiro momento, principalmente quando esse primeiro momento é vivenciado por um brazuca acostumado a um procedimento inteiramente diferente. Então, aplaudamos a evolução do direito português? Calma… provavelmente cheguemos a esse nível, mas antes queria “encher mais linguiça” neste açougue de idéias. Por ora… a hora acabou e devo partir, meus amores.

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