Andaram aparecendo umas notícias sobre uma provável reforma ortográfica da língua portuguesa, que estaria prevista para começar já em janeiro de 2008.

Em tese, as notícias são verdadeiras. Houve, realmente, um acordo ortográfico entre os países da CPLP, assinado em 16 de dezembro de 1990. Para começar a valer, ele precisaria ser ratificado por todos os países da CPLP.

Em 2004, porém, um outro acordo modificou o artigo 3º do Acordo Ortográfico, estabelecendo que ele entraria em vigor “com o terceiro depósito de instrumento de ratificação junto da República Portuguesa”. Traduzindo, bastaria que três países membros da CPLP ratificassem o Acordo para que ele passasse a vigorar.

Ora, isso já aconteceu: Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe já ratificaram o acordo. O problema é que, na prática, a ratificação de Portugal é absolutamente essencial para que o Acordo tenha qualquer pretensão à vigência. E a ratificação portuguesa ainda não aconteceu.

Mesmo que ela acontecesse hoje, seria necessário um período de transição de pelo menos dois anos para que todas as modificações previstas no Acordo começassem a vigorar. As mudanças não são pequenas, e certamente levarão meses, quem sabe anos, para serem incorporadas às salas de aula, aos livros didáticos, aos documentos públicos, às publicações da mídia e da imprensa e, sobretudo, ao uso popular, o meio menos permeável a esse tipo de mudança.

Diante disso tudo, é praticamente impossível o início da vigência do Acordo Ortográfico em janeiro de 2008. Podem ficar tranqüilos – com trema, por enquanto.