Então. Metemos 3 nos hermanos. A Argentina simplesmente não entrou em campo. O padrão de jogo que a seleção portenha vinha mantendo até então na competição – troca de passes intensa no meio-campo, no esquema de dois toques por jogador – não funcionou contra o Brasil, que marcou muito bem, não dando espaço pros argentinos construírem suas jogadas. Nossa zaga esteve precisa, com destaque pro Juan, como sempre muito bem posicionado. Robinho não fez nada, mas os demais jogadores da frente souberam deixar os argentinos ocupados.

O Brasil jogou com a característica que vem apresentando nos últimos anos: uma parede de volantes e zagueiros do meio-campo pra trás, e altas apostas no talento individual, na explosão, na precisão e na força física de seus homens de frente. Tim Vickery, no artigo que eu citei ontem, acha que esse esquema está moribundo. O jogo de ontem mostra que a coisa não é bem assim. Se o time que escolhe esse esquema estiver bem – como o Brasil de ontem -, não tem pra ninguém.

Outro furo do artigo do Tim Vickery: a conquista da Copa de 78 não foi, como ele deu a entender, o resultado de um belo trabalho de preparação da seleção argentina, mas sim uma das garfadas mais escandalosas da história do futebol.

Curiosidade: assisti ao jogo na casa de um amigo que assinou o pacote digital da Net. Ele passou meia hora antes do jogo demonstrando todas as vantagens da televisão digital, a variedade de menus, o custo/benefício nos preços, etc. Pois bem. Estamos assistindo ao jogo, e coisa de 5 segundos antes do primeiro gol do Brasil, ouvimos a quadra inteira gritando “GOOOOOOOOOL!!!!”. Nos entreolhamos, pensando “Ué, tá rolando outro jogo agora?”, e em seguida, na nossa TV, gol do Brasil. Caiu a ficha: na televisão dele, tudo se passa com um delay de aproximadamente 5 segundos!! Maravilhas do mundo digital. Daí pra frente, acabou o suspense: sabíamos quando uma jogada não daria em gol (os vizinhos não gritavam), da mesma forma que soubemos dos outros dois gols com a devida antecedência…